Teixeira, Neiza. Para falar de um Item do ENEM. Rev. BRASIL-EUROPA 133/. Academia Brasil-Europa e ISMPS





Revista

BRASIL-EUROPA

Correspondência Euro-Brasileira©

 

_________________________________________________________________________________________________________________________________


Índice da edição     Índice geral     Portal Brasil-Europa     Academia     Contato     Convite     Impressum     Editor     Estatística     Atualidades

_________________________________________________________________________________________________________________________________








Fotos Neiza Teixeira
©Arquivo A.B.E.

 

Revista Brasil-Europa - Correspondência Euro-Brasileira 133/24 (2011:5)
Prof. Dr. A.A.Bispo, Dr. H. Hülskath (editores) e Conselho Científico
da
Organização Brasil-Europa de estudos teóricos de processos inter- e transculturais e estudos culturais nas relações internacionais (reg. 1968)
- Academia Brasil-Europa -
de Ciência da Cultura e da Ciência

e institutos integrados

© 1989 by ISMPS e.V. © Internet-edição 1998 e anos seguintes © 2010 by ISMPS e.V. Todos os direitos reservados
ISSN 1866-203X - urn:nbn:de:0161-2008020501

Doc. N° 2809




Para falar de um Item do Enem
(Exame Nacional do Ensino Médio)


Profa. Dra. Neiza Teixeira, Amazonas*

 

O todo é constituído por partes e as partes constituem o todo. O todo jamais poderá prescindir das suas partes, pois, assim, ele perderia a sua característica principal e a garantia da sua existência. Assim sendo, quando se diz que um Item do Enem é um todo, necessariamente, deve-se falar das suas partes, e com o entendimento que não se pode compreender ou resolver nenhuma delas isoladamente.

As partes de um Item são: o Suporte, o Enunciado e as Alternativas, que constituem um conjunto, no qual uma (01) é verdadeira e quatro (04) são plausíveis. A Alternativa verdadeira é o Gabarito e as questões plausíveis agem domo Distratores.

Um Item, como ele se apresenta no Enem, não é um capricho de pedagogos ou de filósofos da educação. Trata-se de uma das evidências das mudanças que se processam ou que encaminham os destinos da sociedade brasileira e da Educação do país. O que fica evidente é que não é o momento para se falar em coisas que se solidificam ou que visam a isso, mas, para sermos cautelosos, é apenas um momento de profunda confusão, no qual todos procuram segurar-se em qualquer coisa que lhe pareça sólida e durável. No caso da Educação, o Enem que se apresentou, inicialmente, como um aferidor em larga escala, é agora o norteador de todo o processo de ensino-aprendizagem. Daí a necessidade de perscrutar todas as suas partes isoladamente e ele como um todo.

De fato, todos os acontecimentos no mundo globalizado levam à busca de novas ou de outras explicações não só para a realidade, como também para o homem. Nos dias atuais chegam aos nossos ouvidos expressões como, por exemplo. “Tempos líquidos”, “O fim de uma era”, “Filosofia pós-moderna” etc. Expressões como estas não somente não são estranhas, como também, até nos meios intelectuais, muito significam como exigem explicações.

Assim sendo, para se falar sobre o Item do Enem é necessário uma imersão que ultrapasse as fronteiras das escolas e das universidades, e alcancem as mudanças ou as transformações que se dão em âmbito social, econômico, político, filosófico e epistemológico. Neste contexto, a sala de aula é apenas uma pequena amostra do que se passa numa amplitude que não se pode imaginar nem os contornos e nem os efeitos.

Bauman, na obra Tempos líquidos, afirma:

Pelo menos na parte desenvolvida do planeta, têm acontecido, ou pelo menos estão ocorrendo atualmente, algumas mudanças de curso seminais e intimamente conectadas, as quais criam um ambiente novo e de fato sem precedentes para as atividades da vida individual, levantando uma série de desafios inéditos.1

Para os países “desenvolvidos”, como são classificados por Bauman, as coisas são visíveis e resplandecem a cada olhar. Entretanto, como reconhecê-las em países como o Brasil, no qual se mesclam comportamentos, hábitos, técnicas e tecnologias que se instalaram no século XVI e que permanecem até hoje, com as do tipo que permitem a comunicação global, rompendo com as barreiras do tempo e do espaço, cujos exemplos são a Internet, os celulares etc? Como pensar sobre um povo que experimenta transtornos que se afeiçoam à barbárie e à plenitude do que se classifica como desenvolvimento? Estas são questões que não serão respondidas aqui e nem em quaisquer outros artigos, pois, como diz Bauman, “todas as respostas seriam peremptórias, prematuras e potencialmente enganosas” 2. Isto significa dizer que ao filósofo não cabe fazer profecias e muito menos oferecer verdades absolutas. Mas, algo que soa a senso comum merece ser dito: em todos os lugares buscam-se outros caminhos, inclusive e principalmente na Educação, dado que esta se apresenta, em toda sociedade complexa, como a única forma de garantir a perenidade do homem.

Mas e principalmente, para se pensar a Educação brasileira, tem-se que levar em conta movimentos como a Globalização e suas consequências e o próprio fim da Modernidade. Quando se olha para o mundo nos dias de hoje, o que se vê é a rapidez e a confusão. Como um dos seus resultados, tem-se um homem só, que não compreende o caos que o rodeia, por isso, tenta apegar-se ao que lhe oferece segurança, ao que lhe inspira confiança e solidez, mas tudo isso é apenas aparência, e a cada instante é levado a perceber que a sua escolha dá-lhe um conforto temporário, e que, se ele arrisca-se a permanecer nas crenças que se oferecem, está apenas construindo uma superfície de gelo que, em breve, se transformará em nada, pois “tudo que é sólido, se dissolve no ar”.

A bem da verdade, para alguns, tudo o que é material pode ser adquirido, mas todo o adquirido não é mais do que um simulacro. Daí estarmos vivendo na “era das incertezas”, na era dos “simulacros” e das “simulações”. O espaço da “era das incertezas” ou a “era dos simulacros e das simulações”, desenha-se, de acordo com Bauman, como um planeta atravessado por “auto-estradas da informação”. Assim sendo, “nada que acontece em alguma parte dele pode de fato, ou ao menos potencialmente, permanecer do ´lado de fora intelectual´”.3

Seguindo esta ordem de pensamentos, “num planeta aberto à livre circulação de capital e mercadorias, o que acontece em determinado lugar tem um peso sobre a forma como as pessoas de todos os outros lugares vivem, esperam ou supõem viver. Nada pode ser considerado com certeza num ‘lado de fora material’.4 Isto significa a uma “espécie de unidade da espécie humana”, a qual não se pode escapar como também expõe os reais efeitos da Globalização – a riqueza de poucos sustentando a miséria de milhões.

É neste contexto, o dos “Tempos líquidos”, o dos tempos atuais, que a Educação brasileira deverá ser pensada. E, por incrível que pareça, é sob a forma de Aferidor em grande escala que ela se norteia e se impulsiona. Talvez, na história da Educação brasileira, seja esta a primeira vez que um Aferidor assume o papel de norteador, de fundamento para todo um processo que ultrapassa completamente a periodicidade e a pontualidade com que ele é aplicado. Por isso, pensar o Enem implica muito mais do que criticá-lo ou procurar as suas falhas; implica muito mais do que movimentar na mídia as melhores e as piores escolas do país; implica muito mais do que “preparar” os educandos para enfrentarem o Enem com sucesso.

Porém, antes dar continuidade à ordem de pensamentos que aqui se impõe, é interessante rastrear alguns outros títulos e seus respectivos autores. Desta vez, não mais a presença de um homem vindo do leste europeu, como Bauman, mas um historiador inglês chamado John Lukacs, autor de O fim de uma era.5 Aqui, o autor traz uma reflexão sobre o fim da Era Moderna. É interessante insistir na ideia de fim e de começo. O fim reclama um re-começo, isto é evidente em todo o nosso percurso histórico. E mais interessante ainda chamar-se a atenção para o fato de que o anúncio do fim não é novo, mas já vem de longo tempo, desde Nietzsche para ser mais preciso.

E, mais uma vez, é neste contexto que a Educação Brasileira deverá ser pensada. Antes de mais, pensá-la implica pensar sobre a sua estrutura, sobre os seus fundamentos. Assim sendo, implica um pensar sobre o Estado brasileiro, a Democracia, a Cidadania, a Globalização, a Localidade etc. Tudo isto ultrapassa a dimensão deste artigo, mas são questões que se apresentam e que merecem ser analisadas. De outro modo, é pensar sobre a fragilidade dos Estados Modernos, no seu fim ou nas suas outras fundamentações; é ainda pensar-se sobre o fim do Livro, com o advento da internet e dos atuais recursos digitais.

Da mesma forma que os autores citados anteriormente, o filósofo brasileiro Benedito Nunes6 reporta-se ao momento novo que marca a nossa passagem pelo planeta. Ele chama-o de “contemporâneo”, mas que também se pode chamar de “pós-moderno”, em contraposição ao que o homem viveu na Modernidade.

Os autores citados serviram para situar as reflexões que aqui são fundamentais. O tema principal é o Enem. Segundo a bibliografia brasileira e também presente na mídia em geral, o Enem foi

(...) instituído pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais ─ INEP, em 1988, para ser aplicado aos alunos concluintes e aos egressos deste nível de ensino. O ENEM será realizado anualmente, com o objetivo fundamental de avaliar o desempenho do aluno ao término da escolaridade básica, para aferir o desenvolvimento de competências fundamentais ao exercício pleno da cidadania.7


Do que é presente, cabe chamar a atenção para: 1) O ENEM foi instituído pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais ─ INEP, em 1988, portanto, ele existe há treze anos (13); Ele é aplicado somente aos educandos do Ensino Médio; 3) Ele é realizado anualmente; 4) Ele tem como objetivo avaliar o desempenho do educando ao término da escolaridade básica, para aferir o desenvolvimento de Competências ao exercício pleno da cidadania. Deve-se considerar que, ainda que o Ensino Médio se dirija, também, aos egressos, o seu foco é os adolescentes que o finalizam, por ser uma população jovem, que precisa ser preparada ou para ingressar numa Universidade ou para inserir-se no mercado de trabalho. Todavia, muitas questões, que já foram acima evidenciadas podem ser levantadas.

Hoje não é fácil falar-se em “juventude”, e talvez jamais tenha sido fácil precisar, delimitar o que é ser jovem, quando um indivíduo pode ser considerado jovem e até onde se prolonga a sua juventude. Todavia, há um período, ainda que seja apenas um recurso didático, que se chama “juventude”. Este período de vida caracteriza-se pela pujança física, pelos vigores físico e mental, no qual são permitidos todos os tipos de aventuras e de expansão que se concretizarão ou não na fase de maturidade, esta que também não se pode precisar, delimitar. Como tudo, a juventude também é processo, o que significa dizer que o jovem está em formação, está reunindo elementos que constituirão a sua personalidade adulta. A questão é: como definir-se o que é próprio ou o que é impróprio para a sua formação?


Para responder a esta questão, é próprio evocar-se Durkheim, quando afirma que “a educação é uma socialização da jovem geração pela geração adulta”. Isto implica considerarem-se os conceitos: educação e socialização. Conforme Durkheim, educar significa construir comportamentos, todavia, um comportamento não se molda ou se constrói no vazio, no nada. Ele pertence a um indivíduo que se reconhece, apenas, na sociedade, numa vida gregária com outros homens. Neste sentido, a Educação é um processo de socialização, somente possível em sociedade e em permanente transformação.

Então, do professor é exigida uma série de comportamentos e de competências, tais como que ele tenha autoridade na sua sala de aula, que ele tenha competência nas áreas em que atua. Isto requer seriedade na formação dos professores, implica em projetos de Formação Continuada, o que consiste em um amplo e custoso empreendimento de governos, de universidades, de outros agentes, de formadores qualificados e dos próprios professores. Por outro lado, este esforço é natimorto, se os professores não fizerem, diariamente, a escolha pelo saber, pelo conhecimento e se não tiverem a consciência da sua importância social.

Neste sentido, a concepção do ENEM como mais do que um aferidor, implica a sua análise, em sala de aula, como também implica na sua compreensão pelos professores, pelos educandos, pelos gestores e pelos governos, pois somente assim saberão que decisões tomar, que caminhos seguir.

No que diz respeito aos professores e aos educandos, fica claro que os mesmos devem conhecer o ENEM por dentro, conhecer a Matriz de Referência, as Competências, as Habilidades, os Objetos de Conhecimento, pois conhecê-los significa dominá-lo, significa também conhecer os rumos que vêm tomando a educação no país.

Como foi visto, o ENEM tem como objetivo fundamental “avaliar o desempenho do educando ao término da escolaridade básica, para aferir o desenvolvimento de competências fundamentais ao exercício pleno da cidadania”. Necessariamente, a escola deverá buscar objetivos mais integradores; ela, por meio do seu corpo docente, de gestores, administrativos, deverá estar mais atenta à sua realidade, à sua localização temporal e espacial, bem como solicitar dos professores posturas diferenciadas; os professores deverão rever suas práticas pedagógicas (métodos, didáticas, recursos pedagógicos, materiais didáticos, inclusive, a postura que assumem na sociedade em que habitam); os educandos deverão adquirir o sentimento de pertinência ao seu entorno, conhecendo-o e valorizando-o, da sua capacidade de conhecer e de criticar e, sobretudo, a consciência de que é somente a educação que lhe pode inserir no mundo e oferecer-lhe amplas perspectivas.

Na verdade, fala-se de outra escola que, como quaisquer outras instituições sociais, movimenta-se, constrói-se, segura-se no que lhe parece mais sólido, apesar de saber que “tudo o que é sólido, se dissolve no ar”.

Retornando a um Item, analisa-se a sua composição. Ele é composto pelo Suporte, pelo Enunciado e pelas Alternativas. Eis o exemplo de um Suporte:

A mais profunda objeção que se faz à ideia da criação de uma cidade, como Brasília, é que o seu desenvolvimento não poderá jamais ser natural. É uma objeção muito séria, pois provém de uma concepção de vida fundamental: a de que a atividade social e cultural não pode ser uma construção. Esquecem-se, porém, aqueles que fazem tal crítica, que o Brasil, como praticamente toda a América, é criação do homem ocidental.8

Da análise do Suporte, resulta que: ele é um discurso argumentativo que trata de críticas que se apresentam com normalidade sobre a construção da cidade de Brasília; não é procedente a crítica que afirma que o seu desenvolvimento não poderá jamais ser natural; e finaliza o argumento, dizendo que “toda a América é construção do homem ocidental”. Na composição do Item, o Suporte, como o próprio termo indica, é algo que serve para a sustentação de alguma coisa, portanto, sabe-se que ele tem uma função fundamental na construção do Item. Enquanto Suporte, ele sustentará tanto o Enunciado quanto as Alternativas.

O Enunciado do Item é:

As ideias apontadas no texto estão em oposição, por que

Observa-se que a Situação─Problema está presente no Enunciado. A sua função, neste sentido, é dar lugar para que se crie a Situação-Problema, ou seja, o educando deverá entender que uma situação problemática merece ser resolvida, e que ele somente poderá resolvê-la, se considerar atentamente o Enunciado e o Suporte.

A Situação─Problema que deverá ser resolvida é: encontrar a justificativa para a afirmação de que as ideias, que se encontram no argumento, estão em oposição. Isto implica a leitura concentrada do Suporte, a compreensão da tese, do ou dos argumentos, portanto, operações mentais, para as quais ele já deve ter sido treinado. Feito isto, ele encaminha-se para as Alternativas.


Um Item, além do Suporte e do Enunciado, é composto por cinco (05) Alternativas. Das cinco, uma (1) é Gabarito, as quatro (4) restantes são Distratores. No papel de Distratores, elas devem ser plausíveis e servem para certificar que o educando desenvolveu as Habilidades necessárias requeridas pela Competência aferida pelo Item. A plausibilidade é necessária, justamente, para comprovar se o educando realmente se apropriou das Competências que foram trabalhadas em todo o seu período de escolarização. Isto é comprovado pela resolução correta das Situações-problemas e quando as suas respostas são remetidas, para análise, à TRI (Teoria de Resposta ao Item).

O Item analisado possui enquanto Alternativas:

A)a cultura dos povos é reduzida a exemplos esquemáticos que não encontram respostas na história do Brasil ou da América.

B)as cidades, na primeira afirmação, têm um papel mais fraco na vida social, enquanto a América é mostrada como um exemplo a ser evitado.

C)a observação inicial, de que as cidades não podem ser inventadas, é negada logo em seguida pelo exemplo da colonização da América.

D)a concepção fundamental da primeira afirmação defende a construção de cidades e a segunda mostra, historicamente, que essa estratégia acarretou sérios problemas.

E)a primeira entende que as cidades dever ser organismos vivos, que nascem de forma espontânea, e a segunda mostra que há exemplos históricos que demonstram o contrário.

Analisando as Alternativas, tem-se que: no que tange à Alternativa A, ela apresenta-se como um Distrator, pois ela é plausível, é um elemento de verificação de aprendizagem do Educando, porque ele pode realizar operações mentais que o conduziriam a escolhê-la como Gabarito. Dela, não se pode dizer que é errada ou falsa, mas que a leitura do Suporte não indica que ela seja a resolução da Situação-Problema.

No que diz respeito à Alternativa B, bem como as demais Alternativas, tem-se que, se o educando não desenvolveu as Habilidades que o capacitaram à aquisição da Competência dois (2), de Ciências Humanas e suas Tecnologias, cujo conteúdo é:

Compreender as transformações dos espaços geográficos como produto das relações socioeconômicas e culturais de poder.9

E, se ele não desenvolveu as Habilidades seis (6), oito (8), nove (9), treze (13), catorze (14), o que lhe permite concluir, sem erro, qual a Alternativa─Gabarito. A Alternativa referida é também um Distrator. Neste sentido, o educando deve realizar operações mentais objetivas e conclusivas para chegar com êxito à resolução da Situação-Problema.

Quanto à Alternativa C, que é Gabarito, atente-se para o seu conteúdo. De fato, as ideias apresentadas no texto estão em oposição, porque “a objeção inicial, de que as cidades não podem ser inventadas, é negada logo em seguida pelo exemplo utópico da colonização da América.

A Alternativa D, como os demais Distratores, pode ser entendida como verdadeira pelo educando, uma vez que, se não desenvolveu as Habilidades requisitadas para alcançar a solução com sucesso, pode ser enredado nesta Alternativa. Ela, como as Alternativas A, B, D e E servem para “distrair” a atenção do educando, que até pode sair do exame convencido de que fez boa prova.

Como já foi referido, a Alternativa E pode promover o mesmo estado no educando. Caso ele não esteja concentrado, poderá acreditar que ela é Gabarito, pois a primeira parte do argumento, constante do Suporte, pode levá-lo a esta conclusão.

As Alternativas, que excluem a memorização e a aprendizagem mecânica, constituem uma das grandes “invenções” do Enem. Por meio delas, que reclamam a TRI, é possível que o educando não acerte casualmente um Item. Assim sendo, quando se elabora um Item, o compromisso é com a sua clareza, objetividade e que ele requisite e desafie o educando a desenvolver Competências e Habilidades, bem como a realizar operações mentais despertadas pelo Suporte e pelo Enunciado, que se concluem quando é feito o Gabarito.

Portanto, de tudo o que foi dito infere-se que a Educação brasileira vê-se forçada, por exigência da sociedade brasileira e da sociedade global, pois hoje não se pode fomentar um projeto para o homem sem deixar de se considerar que ele é um ser global e globalizado, a encontrar outras soluções ou outros caminhos. Esta perspectiva resulta das transformações geradas no seio da humanidade, que reclama, para o seu entendimento, novo quadro conceitual e, sobretudo, uma nova ou outra concepção de homem.


1 Zygmunt Bauman. Tempos líquidos. Tradução de Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar Editora. 2007. P. 7.

2 Idem. P. 10.

3 Idem. P. 11.

4 Idem. P.12.

5 John Lucaks. O fim de uma era. Tradução de Vera Ribeiro. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed. 2005.

6 Benedito Nunes. Filosofia contemporânea. Edição revista e atualizada. Belém: EDUFPA. 2004.

7 HTTP://www.pedagogiaemfoco-pro.br/eenem.htm

8 Margarida Rodrigues. Diálogos sobre o Ensino Médio ─ Enem em perspectiva. Manaus: Editora Travessia. 2011. P. 167.

9 Op. Cit. P. 17



Todos os direitos relativos a texto e imagens reservados. Reproduções apenas com a autorização explícita da autora.

Indicação bibliográfica para citações e referências:
Teixeira, Neiza "Para falar de um Item do ENEM". Revista Brasil-Europa: Correspondência Euro-Brasileira 133/24 (2011:5). http://www.revista.brasil-europa.eu/133/ENEM.html



* A Profa. Dra. Neiza Teixeira é atualmente Coordenadora Pedagógica da Empresa Travessia e pesquisadora do CEFORT/UFAM. Estará desenvolvendo um trabalho sobre o Lago do Catalão, no qual uma comunidade vive conforme a movimentação das águas.