-
Sapere aude. Esclarecimento da mente, caráter e a formação da capacidade do sentir
Sobre a Educação Estética do Homem VIII
Trabalhos da Academia Brasil-Europa relativos aos estudos culturais Alemanha-Brasil 2009 pelos 250 anos de F. v. Schiller sob a direção-geral de A.A.Bispo
Bad Arolsen, Museu Christian Daniel Rauch
Imagens de obras de Christian Daniel Rauch, escultor nascido em Arolsen (1777-1857). Exposição no Marstall da Residência dos Príncipes de Waldeck e Pyrmont.
Trabalhos da Academia Brasil-Europa em Bad Arolsen.
Fotos H. Huelskath 2009
As reflexões encetadas na carta VIII do "Sôbre a Educação Estética do Homem" ("Über die ästhetische Erziehung des Menschen") de F. Schiller, baseando-se nas conclusões expostas na carta anterior, partem da visão negativa do desenvolvimento em direção à plenitude humana devido à situação de denobilitação do homem pelo conflito de forças que nele agem.
A argumentação prossegue tratando das dificuldades decorrentes para a Filosofia de tais conclusões. Coloca-se a questão se a forma, que se amplia em todas as direções, representando o mais importante de todos os bens, pode e deve ser abandonada ao acidental amorfo. Deve o conflito das forças perdurar eternamente no mundo político, e a lei da sociabilidade jamais vencer o egoísmo?
Nova força através da vontade e do sentimento
Para Schiller, a resposta a ser dada a esta questão é negativa. A razão, de fato, não tentará lutar de forma direta contra esse poder bruto. Ela escolhera, porém, do centro dos combatentes, o mais digno e lutará com força vitoriosa até alcançar a vitória decisiva.
A razão sabe o que pode fazer quando ela encontra e estabelece a lei. Ela deverá ser posta em ação através da vontade corajosa e do vivo sentimento. Se a verdade deve vencer na luta contra as forças, ela deve primeiramente tornar-se força e instituir um impulso como guia na esfera dos fenômenos, uma vez que os impulsos são as únicas forças que movimentam no mundo sensorial. Se ela até agora não manifestou essa força vitoriosa, não foi culpa da razão, mas sim do coração, que se fechou a ela e aos impulsos.
Causas da barbárie, apesar do progresso
Qual seria a causa do predomínio generalizado dos preconceitos e do escurecimento das mentes, apesar de toda a luz trazida pela filosofia e pelo empirismo? Segundo Schiller, referindo-se a seu tempo, a época tem luz, ou seja, o homem alcançou conhecimentos e estes foram divulgados e levaram a que pelo menos fossem corrigidos alguns princípios práticos. O espírito do exame livre dissolveu concepções obscuras que haviam perdurado tanto tempo e impedido o acesso à verdade, preparando o terreno para o domínio do fanatismo e do engano. A razão se purificou das ilusões dos sentidos e da sofística enganadora. A própria Filosofia, que primeiramente dela se libertou, apelou ao homem que retornasse ao seio da Natureza. Qual seria então a explicação para o fato do homem continuar a ser bárbaro?
A razão, para Schiller, situa-se vida emocional dos homens, em algo que impede a recepção da verdade, ainda que esta seja tão clara, e a sua assimilação, ainda que a mesma seja tão vivamente convincente. Uma expressão que traduz essa situação é "sapere aude".
Nascimento da sabedoria
O homem deve ousar ser sábio. É necessário ter a energia da coragem para superar obstáculos colocados ao aprendizado pela preguiça da natureza e pela covardia do coração. Não deixa de ter significado o antigo mito que descreve a deusa da sabedoria saindo da cabeça de Jupiter já com atributos guerreiros. Já no seu nascimento encontra-se em luta contra os sentidos, que não desejam ser tirados da sua situação tranquila.
Seguimento cego de autoridades
Para Schiller, a parte mais numerosa dos homens se fatiga com o combate, não podendo preparar-se para uma luta mais dura, aquela contra o êrro. Satisfeito quando se livra do trabalho de pensar, o homem deixa-se cair em dependência de outros, daqueles que refletem sobre os conceitos que usa. Se exigências mais elevadas se fazem nele sentir, então utiliza-se, com crença vacilante, de fórmulas preparadas pelo Estado e pelo clero. Esses pobres homens são merecedores de compaixão. Aqueles, porém, que por livre escolha se curvaram diante das necessidades, apesar de dela serem livres pelo destino favorável, esses merecem o desprêzo. Preferem a pouca luz de conceitos obscuros, onde porém se sente de forma viva e a fantasia forma imagens confortáveis. Construiram a sua sorte nessas ilusões. Estas devem ser dissolvidas pela luz do conhecimento. Necessitam ser sábios, para amar a sabedoria, uma verdade já sentida por aqueles que deram à Filosofia a sua designação.
Esclarecimento da mente através do caráter e formação da capacidade de sentir
A iluminação da mente merece apenas respeito quando atua sobre o caráter. Ela origina-se por assim dizer do caráter, uma vez que o caminho ao cérebro deve ser aberto pelo coração. Formação da capacidade de sentir é portanto a mais urgente necessidade do tempo, não apenas por ser um meio para o alcance de uma melhor compreensão para a vida, mas sim por despertar o melhoramento da visão.
Veja comentários de outras cartas da obra de Schiller nesta edição. O relato dos trabalhos terá prosseguimento no próximo número.
Observação: o texto aqui publicado oferece apenas um relato suscinto de trabalhos. Não tendo o cunho de estudo ou ensaio, não inclui aparato científico. O seu escopo deve ser considerado no contexto geral deste número da revista. Pede-se ao leitor que se oriente segundo o índice desta edição e o índice geral da revista (acesso acima). Pede-se ao leitor, sobretudo, que se oriente segundo os objetivos e a estrutura da Organização Brasil-Europa, visitando a página principal, de onde obterá uma visão geral e de onde poderá alcançar os demais ítens relativos à Academia Brasil-Europa de Ciência da Cultura e da Ciência (culturologia e sociologia da ciência), a seus institutos integrados de pesquisa e aos Centros de Estudos Culturais Brasil-Europa: http://www.brasil-europa.eu
Brasil-Europa é organização exclusivamente de natureza científica, dedicada a estudos teóricos de processos interculturais e a estudos culturais nas relações internacionais. Não tem, expressamente, finalidades jornalísticas ou literárias e não considera nos seus textos dados divulgados por agências de notícias e emissoras. É, na sua orientação culturológica, a primeira do gênero, pioneira no seu escopo, independente, não-governamental, sem elos políticos ou religiosos, não vinculada a nenhuma fundação de partido político europeu ou brasileiro e originada de iniciativa brasileira. Foi registrada em 1968, sendo continuamente atualizada. A A.B.E. insere-se em antiga tradição que remonta ao século XIX.
Não deve ser confundida com outras instituições, publicações, iniciativas de fundações, academias de letras ou outras páginas da Internet que passaram a utilizar-se de designações similares.