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ISSN 1866-203X - urn:nbn:de:0161-2008020501

N° 122/30 - (2009:6)

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Superação da separação de impulsos e do conflito no interior do homem
Sobre a Educação Estética do Homem VII

Trabalhos da Academia Brasil-Europa relativos aos estudos culturais Alemanha-Brasil 2009 pelos 250 anos de F. v. Schiller sob a direção-geral de A.A.Bispo
Bad Arolsen, Museu Christian Daniel Rauch




Imagens de obras de Christian Daniel Rauch, escultor nascido em Arolsen (1777-1857). Exposição no Marstall da Residência dos Príncipes de Waldeck e Pyrmont.
Trabalhos da Academia Brasil-Europa em Bad Arolsen. Fotos H. Huelskath 2009

 
As reflexões encetadas na carta VII do "Sôbre a Educação Estética do Homem" ("Über die ästhetische Erziehung des Menschen") de F. Schiller, baseando-se nas conclusões expostas na carta anterior, partem da necessidade do restabelecimento da plenitude da natureza humana, perdida pela divisão de esferas de conhecimentos, de tarefas, de áreas de trabalho e outras dissociações e fragmentações.

O mecanismo divisório e especializador fora causado pelo próprio desenvolvimento cultural, e fora necessário para o desenvolvimento das várias disposições e, assim, para o progresso, vinha porém favorecer apenas o todo do gênero humano, não o indivíduo. Seria, assim, necessário restabelecer a plenitude da natureza humana para o próprio desenvolvimento - e felicidade - do indivíduo.

Incapacidade do Estado no restabelecimento da plenitude humana

A questão que Schiller agora coloca no desenvolvimento de sua argumentação é se tal restabelecimento da plenitude da natureza humana pode ser esperado do Estado. Para êle, essa esperança não teria fundamento, pois o Estado, assim como existe, foi justamente o que levou à situação deficitária, e o Estado, como idealizado pela razão, no lugar de fundamentar essa humanidade melhor, precisaria estar nela fundamentado.

A época, além do mais, longe de mostrar a forma do Humano que tem como condição necessária um melhoramento do Estado ético, mostra-se adversa a essa transformação do Estado. Toda a transformação do Estado seria nessa situação precoce e toda a esperança nesse sentido ilusória. Pré-condição é a superação da separação no interior do homem. Com essa superação, desenvolve-se a sua natureza de forma plena, de modo que a realidade possa vir a ser o artista na criação política da razão.

Luta de forças elementares, liberdade e nobilitação ética

A natureza mostra, na criação física, o caminho que deve ser seguido no âmbito ético. Até que a luta das forças elementares nas organizações inferiores não tenha sido apaziguada, elas não podem elevar-se à nobilitação do homem físico. Da mesma forma, a luta elementar no homem ético necessita diminuir; o conflito de instintos cegos precisa ser amansado e o confronto de forças precisa ser acalmado. De outro lado, a individualidade do caráter do homem precisa estar segura e a sua submissão sob formas despóticas precisa dar lugar à liberdade, antes que a variedade nele seja submetida à unidade do ideal. Onde o homem natural abusa de sua arbitrariedade sem lei, não se pode mostrar-lhe a sua liberdade; onde o homem artificial usa pouco da sua liberdade, não se pode tirar-lhe a voluntariedade.

O caráter do tempo deve, portanto, elevar-se de sua profunda denobilitação. Deve escapar da violência cega da matéria de um lado, e, de outro, retornar à simplicidade, verdade e plenitude da natureza. Isso é uma tarefa secular, que exige muito tempo para ser solucionada.

Visão pessimista sem o restabelecimento da plenitude do caráter

Algumas tentativas podem levar a bons resultados em casos especiais, no todo, porém nada melhorará, e o conflito no comportamento sempre se manifestará contrário a unidade dos ditames.

É curioso que Schiller faz, aqui, uma comparação entre o movimento de direitos humanos em outras culturas e os direitos dos pensadores na Europa. Segundo êle, na situação descrita, honrar-se-ia a humanidade dos nativos de outros continentes e, na Europa violentar-se-ia a dos pensadores. Os antigos princípios porém permaneceriam, ainda que com as roupagens do século. A opressão, que de resto seria autorizada pela Igreja, passaria a ser feita em nome da Filosofia. Assustado com a liberdade, que de início sempre surge como inimiga, o homem entrega-se a uma servilidade confortável e aqui, em desespero, cai na selvageria livre do estado natural. A usurpação utiliza-se da fraqueza humana e a insurreição diz basear-se na sua dignidade até que a força cega surja como dominadora de todos os assuntos humanos.

Veja comentários de outras cartas da obra de Schiller nesta edição. O relato dos trabalhos terá prosseguimento no próximo número.



  1. Observação: o texto aqui publicado oferece apenas um relato suscinto de trabalhos. Não tendo o cunho de estudo ou ensaio, não inclui aparato científico. O seu escopo deve ser considerado no contexto geral deste número da revista. Pede-se ao leitor que se oriente segundo o índice desta edição e o índice geral da revista (acesso acima). Pede-se ao leitor, sobretudo, que se oriente segundo os objetivos e a estrutura da Organização Brasil-Europa, visitando a página principal, de onde obterá uma visão geral e de onde poderá alcançar os demais ítens relativos à Academia Brasil-Europa de Ciência da Cultura e da Ciência (culturologia e sociologia da ciência), a seus institutos integrados de pesquisa e aos Centros de Estudos Culturais Brasil-Europa: http://www.brasil-europa.eu


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Doc. N° 2527