Doc. N° 2327

Prof. Dr. A. A. Bispo, Dr. H. Hülskath (editores) e curadoria
científica
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113 - 2008/3
Encontro de áreas de influência ibérica na região do Prata e história
catedralícia
José Custodio de Saa y Faria
Catedral de Montevideo. Trabalhos da A.B.E. 2008
A.A.Bispo
As origens da igreja matriz de Montevideo remontam a uma capela
edificada em 1724, por ocasião dos trabalhos de fortificação do
porto de Montevideo. Esses trabalhos foram iniciados por D. Bruno
Mauricio de Zabala, governador espanhol em Buenos Aires à época
do reinado de Felipe V. O objetivo da fortificação era o de proteger
o porto da expansão dos portugueses, fundadores da Colonia do
Sacramento. Escolheu-se, para isso, a margem esquerda do Rio de
la Plata por suas condições naturais favoráveis à defesa. A nova
cidade foi denominada, em homenagem ao soberano, de São Felipe
e Santiago de Montevideo.
A história da matriz é, assim, desde o seu início, estreitamente
vinculada com o campo de tensões resultante do encontro de duas
esferas de poder ibérico na América do Sul. Os jesuítas espanhóis
estiveram envolvidos nesses trabalhos, uma vez que foram indígenas
Tapes das Missões que, em grande número e acompanhados por religiosos
realizaram as obras de fortificação. No âmbito desses trabalhos
construiu-se uma primeira capela, considerada a origem histórica
da atual matriz. Essa capela foi dedicada à Nossa Senhora da Imaculada
Conceição. Através dos séculos, até o presente, é essa imagem
alvo de especial veneração. Pelas suas origens, é denominada,
desde 1953, de "Nuestra Señora de la Fundación" e se encontra
na Capela do Santíssimo Sacramento da Catedral Basílica.
O engenheiro Domingo Petrarca foi o responsável pelo plano da cidade, substituído após a sua morte por D. Pedro Millán. Com traçado em xadrez, demarcou-se o local onde deveria ser limplantada a praça maior e levantados os edifícios da igreja e do cabildo. Em 1730, ao constituir-se o primeiro Cabildo, designou-se como primeiro pároco o presbítero José Nicolás Barrales. A primitiva capela passou provisoriamente a matriz. Em 1730, iniciaram-se as obras do novo templo. As imagens dos padroeiros puderam ser transferidas em 1740. As obras foram encerradas em 1746. Em 1788, parte do edifício se deteriorou, sendo o Santíssimo trasladado para a capela do Forte do Governador. O pároco, Juan José Ortiz, deu início aos projetos de construção de um novo templo. Provisoriamente, funcionou como matriz a capela do convento San Estanislao de Koska, levantado pelos jesuítas, em 1749, então abandonada e utilizada para fins outros após a expulsão dos jesuítas, em 1767.
Um português como autor do projeto?
Os planos do edifício atual da matriz de Montevideo, cuja autoria
é alvo de discussão, podem ser atribuídos ao português José Custodio
de Saa y Faria, brigadeiro de engenheiros, ex-brigadeiro do exército
português e governador do Rio Grande do Sul e que, aprisionado,
passara para o lado espanhol. Os trabalhos foram dirigidos pelo
comandante de engenheiros, José del Pozo y Marquy. Posteriormente,
atuou nas obras o arquiteto Tomás Toribio, responsável pelas obras
do Cabildo. A construção foi particularmente impulsionada pelo
pároco, presbítero Juan José Ortiz. A pedra fundamental do edifício
foi lançada em 1790, os trabalhos se prolongaram até 1804.
A construção exigiu grandes esforços da população, uma vez que
a Coroa pouco contribuía por julgar as dimensões grandiosas do
projeto inadequadas para a importância secundária da localidade.
A matriz tornou-se, assim, um testemunho simbólico da consciência
dos habitantes a respeito do futuro de Montevideo.
A consagração solene deu-se no dia 21 de outubro de 1804, sendo
presidida pelo Mons. Benito de Lué y Riega, de Buenos Aires, último
bispo espanhol do Vice-Reino do Rio de la Plata.
Na matriz celebraram-se os principais atos históricos da história
do Uruguai. Nela deu-se a benção da primeira bandeira e o juramento
da primeira constituição. Nela se encontram sepultados os arcebispos
e bispos de Montevideo, além de outras autoridades eclesiásticas,
civís e militares.
Entre as grandes personalidades que visitaram a cidade e a sua
matriz no século XIX destacou-se o do futuro Papa Pio IX, que
ali esteve em 1824. Mais tarde, em 1870, elevou a igreja a Basílica,
reconhecimento de sua relevância religiosa e cultural. Em 1878,
com a criação da Diocese de Montevideo, sob Mons. Jacinto Vera,
transformou-se em Igreja Catedral e, em 1897, por Leão XIII, em
Catedral Metropolitana. O seu primeiro arcebispo foi o Mons. Mariano
Soler. Entre as suas obras de arte do interior do templo salienta-se
hoje o mausoléu desse prelado.
(...)
Observação: o texto aqui publicado oferece apenas um relato suscinto
de trabalhos. Não tendo o cunho de estudo ou ensaio, não inclui
notas e citações bibliográficas. O seu escopo deve ser considerado
no contexto geral deste número da revista. Pede-se ao leitor que
se oriente segundo o índice desta edição (acesso acima).