Doc. N° 2289

Prof. Dr. A. A. Bispo, Dr. H. Hülskath (editores) e curadoria
científica
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111 - 2008/1
Amor, morte e renascimento na evolução do espírito
Leituras da arquitetura e do paisagismo funerário do universo
perso-indo-islâmico
Mausoléu de Hammayun e de Safdar Jang, Nova Delhi. Trabalhos da A.B.E. 2007
A.A.Bispo
No estudo comparativo e de relações interculturais Ocidente/Oriente
levanta-se uma questão até hoje pouco considerada: a das concepções
de morte, de vida eterna e de suas expressões artísticas, arquitetônicas
e paisagísticas. Essa questão poderia parecer à primeira vista
sem maior significado se não se constatasse que os maiores monumentos
da cultura indo-islâmica pertencem à arte funerária.

Fotos A.A.Bispo
Um primeiro caso: Mausoléu de Humayun
O túmulo de Humayun (1556-1565). o segundo imperador mogul (1508-1556) é o mais antigo mausoléu mogul de Delhi e uma das mais extraordinárias construções históricas da cidade. Foi a primeira das grandes construções do período mogul. É declarado pela UNESCO como parte do patrimônio cultural do mundo.
A sua importância arquitetônica-paisagística é vista sobretudo no fato de ter fundamentado a concepção que une mausoléus a jardins. Assim, seria também modêlo do Taj Mahal, em Agra.
Concepções persas
A viúva de Humayun fê-lo construir por mestres-de-obra da Pérsia e controlou a sua edificação in loco. De arenito vermelho, com cúpulas brancas em forma de cebola, com quatro portais grandiosos em arco, impressiona pelas suas dimensões, pelo equilíbrio de suas proporções e pela decoração artística das fachadas, com grandes nichos e trabalhos de entalhe em mármore. O interior, de relativa simplicidade, está edificado sobre a câmara mortuária propriamente dita.
O jogo de luz criado pelas grandes janelas engradadas tem sido sempre salientado como de especial efeito na caracterização atmosférica do espaço. A arquitetura de luz desempenha, aqui, um importante papel. Os jardins são estruturados com fontes e riachos artificiais.
O significado desse mausoléu funerário e de seus jardins como
marca arquitetônica do início da supremacia mogul não pode ser
entendido sem levar-se em consideração a mística islâmica no seu
desenvolvimento histórico contextualizado.
Como a especilista Annemarie Schimmel expõe, durante os primeiros
cinco séculos da soberania islâmica em grande parte da Índia,
as fronteiras entre os santos homens hindus e muçulmanos se manteve,
embora já houvesse movimentos sincréticos. A situação modificou-se
quando os moguls entraram no país. Babur, que fundamentou a soberania
de sua casa com a batalha de Panipat, em 1526, estava acostumado
a venerar os sufís. (Mystische Dimensionen des Islam: Die Geschichte des Sufismus, Munique: E. Diederichs 1985, 506; Mystical dimensions of Islam ed. Chapel Hill 1975)
O objetivo do amor na mística seria o de possibilitar o alcance de uma vida em nível mais elevado; isso ocorreria num constante morrer e renascer espiritualmente. Tal experiência seria manifestada na dança. Os místicos sabiam que, após um primeiro morrer se seguiriam outros atos de dedicação mística. A concepção de uma evolução espiritual se daria mesmo após a morte. (op. ci. pág. 455)
Um último caso: Túmulo de Safdar Jang
O mausoléu de Safdar Jang é considerado como a última edificação monumental da era dos moguls e a última construção funerária concebida em união paisagística com jardins.
Safdar Jang (1739-1754) foi o Grão-vesir e general do imperador mogul Mohammed Shah. O seu projeto baseou-se no modêlo do Mausoléu de Humayun. A fachada é de arenito polido, com elementos artísticos em estuque. O edifício acima do túmulo, de planta simétrica, é também coroado por uma cúpula.
(...)
Observação: o texto aqui publicado oferece apenas um relato suscinto
de trabalhos. Não tendo o cunho de estudo ou ensaio, não inclui
notas e citações bibliográficas. O seu escopo deve ser considerado
no contexto geral deste número da revista. Pede-se ao leitor que
se oriente segundo o índice desta edição (acesso acima).